Márcio May
Como escolher as medidas da bicicleta
04/05/2012
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Quando vamos comprar uma bicicleta temos que saber exatamente para o que vamos usar, pois para cada uso, temos um quadro com uma geometria específica que proporcionará o desempenho e o conforto necessário ao ciclista. Além disso, o tamanho é muito importante na escolha de sua nova bike.

Como os ângulos e medidas influenciam na bike
Os ângulos e as medidas dos diversos tubos de uma bicicleta influenciam diretamente sobre o comportamento dela. Assim, duas bikes de ciclismo do mesmo tamanho, porém com ângulos diferentes, terão reações e comportamentos diferentes.
As principais medidas e ângulos de uma bike são:


OFF SET

Esta medida tem relação direta com o ângulo da caixa de direção. Já vem de fábrica definido pelo fabricante do garfo ou suspensão, no caso das mountain bikes. Mesmo os garfos que parecem retos – como dita a moda hoje em dia nas bikes de ciclismo top de linha -, na realidade tem um off-set (pequena diferença de alinhamento) logo abaixo da caixa de direção.
Vale lembrar que a curvatura do garfo tem o papel de amortecer vibrações e impactos do solo, aliviando o stress de demais pontos do quadro.
TRAIL

É a medida da linha longitudinal do garfo projetada no chão, com a linha do eixo projetada perpendicularmente ao chão. Em geral o trail da maioria das bicicletas fica em torno dos 50 mm.
Um trail pequeno torna a bike mais rápida e arisca em curvas fechadas. Já um trail maior faz com que a bike fique mais estável e confortável. Bikes de velódromo têm cerca de 30 mm de trail, para ser bastante ágil nas manobras comuns nas competições de pista.
ÂNGULO DA CAIXA DE DIREÇÃO

É ângulo formado entre o tubo da caixa de direção e o solo. É muito importante na construção de uma bicicleta. Ele vai variar de 67º (em bikes de downhill) a 78º em bikes especiais para triathlon.
Bicicletas de ciclismo têm o ângulo da caixa de direção ao redor dos 70,5 à 73º. Já uma mountain bike tem esse mesmo ângulo variando de 72 a 74º.
Quanto menor o ângulo da caixa de direção mais estável será a bike e, conseqüentemente mais difícil de mudar de direção, pois a bike vai tender a ficar estável. São boas para andar em longos trechos de estradas asfaltadas, em contrapartida não irão se adaptar bem no trânsito urbano.
Quanto maior o ângulo da caixa de direção, mais esperta e arisca será a bike. São boas para manobras rápidas (como as mountain bikes), em contrapartida serão menos confortáveis em longas pedaladas.
Nas bicicletas especiais para o downhill, esse ângulo fica em torno de 67-69º, para que a bike seja bem estável nas altas velocidades em descidas.

ÂNGULO DO TUBO DE SELIM
É um ângulo muito importante, pois ele irá posicionar o ciclista sobre os pedais. O tamanho do fêmur influencia no tamanho desse tubo.
Uma mountain bike tem essa medida bem relaxada e gostosa para a pedalada. Nas mountain bikes esse ângulo fica ao redor dos 73º, em média. Nas bikes de ciclismo este ângulo é de mais ou menos 74º. No passado, Greg LeMond pedalava uma bike com 72º graus, bem mais relaxado em relação às bikes atuais.
Bikes de ciclismo com grandes ângulos de tubo de selim (75º ou mais) são indicadas para provas de contra-relógio, critério (provas de circuito, comuns no Brasil) e para provas de triathlon.
Alguns modelos têm regulagens que podem ir de 74 até 78º de inclinação. São bikes especialmente desenvolvidas para provas de triathlon e que poupam a musculatura das pernas do ciclista para o momento da corrida.
Uma diferença entre as bikes de contra-relógio de ciclismo e triathlon é que o regulamento do ciclismo limita este ângulo, não podendo a ponta do selim ficar com menos de 5 cm de recuo em relação à linha do eixo central. Já no triathlon este limite não existe e os triatletas acabam utilizando o selim em uma posição mais avançada.
Bikes especiais para downhill têm o ângulo com cerca de 60º, que faz com que o peso do ciclista se desloque para trás e mantém a bike firme em sua trajetória de descida, mesmo em velocidades altas.

COMPRIMENTO TOTAL
O comprimento de um quadro está diretamente ligado ao seu nível de conforto. A relação entre comprimento e conforto é a mesma de um automóvel. “Se imaginarmos dois automóveis, um Celta e um Ômega, qual dos dois é o mais confortável? Logicamente é o Ômega, pois é mais longo”. A lógica funciona da mesma forma para as bicicletas. Quanto mais longa uma bicicleta, mais confortável, pois ela vai absorver mais energia do impacto.
Da mesma maneira, uma bike mais curta será mais ágil nas curvas e vai acelerar mais rápido, pois tem menos massa para ser colocada em movimento. Em contrapartida, será menos confortável, pois tem menos massa para absorver impactos. Logicamente, uma bike menor, tem menos massa e, portanto, pesa menos que uma bike mais comprida.
A relação do comprimento que estamos analisando aqui é entre os eixos, o que é diferente entre uma bike de estrada ou de pista. Mas quando for comprar a sua, o comprimento e altura do quadro devem ser escolhidos de acordo com a sua altura.

COMPRIMENTO DA TRASEIRA
O mesmo princípio se aplica aqui. Uma bike com traseira curta vai acelerar mais rápido, pois vai torcer menos e assim desperdiçar menos energia do ciclista. São excelentes para provas de contra-relógio, velódromos e também para subidas. Perdem no conforto, justamente pelos motivos explicados anteriormente.
Uma solução adotada recentemente é a adoção da traseira em carbono, que absorve melhor os impactos que o alumínio e o titânio e é igualmente leve.

COMPRIMENTO DA DIANTEIRA
A distância do eixo de centro até a roda dianteira também vai determinar o comportamento da bike em relação à sua agilidade.
Quanto mais curta esta distância, mais rápida e arisca será a bike. Entretanto, esta medida deve sempre permitir que o ciclista faça uma curva fechada sem tocar o pé na roda dianteira. Bikes de triathlon com rodas de 26″ podem ter essa distância menor e, portanto podem ser mais ágeis em curvas que uma bike com aro 27″.

ALTURA DA CAIXA DE CENTRO
Uma caixa de centro mais próxima ao solo dá mais estabilidade, pois baixa o centro de gravidade, que com o ciclista montado sobre a bike, fica mais ou menos na altura do umbigo do ciclista. Com o ciclista em pé, o centro de gravidade é na altura do pedivela.
A altura da caixa do centro é de mais ou menos 26-27 cm em relação ao chão. Nas mountain bikes esta distância é de 30 cm, para poder superar obstáculos.
Alguns ciclistas trocam o garfo mudam a caixa de direção por uma mais baixa. O resultado pode ser desastroso.
Uma bike sai de fábrica projetada para uma determinada função. Se você alterar a frente da bike com um garfo mais curto ou uma suspensão de menor curso, você alterou esta relação. O ângulo da caixa de direção quando é alterado, vai interferir no comportamento geral da bike. Isso pode causar tombos incríveis.

Altura do Guidão
Normalmente os leigos associam a altura do guidão ao conforto – quanto mais alto, mais confortável. Mas, não é bem assim.

O conforto do ciclista depende do tamanho e geometria do quadro para determinado ciclista e o uso que este dará a bicicleta. Bikes de triathlon bem reguladas podem proporcionar um grande conforto ao triatleta durante as várias horas de pedal em uma prova de Iron Man, mesmo em uma posição extremamente aerodinâmica.

O Tamanho das Rodas
Antigamente o tamanho da roda chegou a ser relacionado com o tamanho do ciclista. Quanto maior fosse o ciclista, maior seria a roda da bicicleta. Isto mudou por diversas razões e hoje é usado um tipo de roda para cada finalidade. Baseando-se em estudos, experiência e necessidades industriais, está convencionado que a melhor opção para mountain bike é a roda 26 e mais recentemente foi lançado o aro 29er que tem as suas vantagens e desvantagens, deixando a escolha para cada ciclista. Para as bicicletas de estrada são as rodas 700 e por uma questão de conforto e estabilidade direcional, as híbridas e urbanas costumam usar rodas 700.

Uma coisa é certa: Quaisquer que sejam as rodas da bicicleta, quanto mais leve melhor.

Algumas considerações sobre o tamanho das rodas:

Quanto maior o diâmetro da roda:

– Mais fácil será passar sobre um obstáculo;
– Melhor os impactos serão absorvidos;
– A estrutura da roda será mais frágil;
– Mais lenta será a bicicleta nas mudanças de direção;
– Maior o peso da roda;
– Menor será a aceleração da bicicleta.

Quanto menor o diâmetro da roda:

– Maior a dificuldade para superar os obstáculos;
– Menor será a absorção de impactos;
– A estrutura das rodas será mais forte;
– Mais rápida será a bicicleta nas mudanças de direção;
– Mais rápida será a bicicleta será nas acelerações.

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3 comentários

  • muito legal a explicação!.. Obrigado!

  • Rogério Polo disse:

    Creio que na descrição do off set houve um engano, ele tem relação apenas com a construção do garfo, não muda com o ângulo da caixa de direção. O trail sim muda com o ângula da caixa de direção, alias, o trail muda até se a medida do pneu for muito alterada, pois subirá o eixo.
    Um assunto bastante técnico, seria bom todos ciclistas terem estas noções, a escolha de uma bike muda muito com as alterações destas medidas descritas. Rogério Polo

  • Bike Plus disse:

    Olá Rogério, o off set possui relação com a caixa de direção já vem de fábrica definido pelo fabricante do “garfo ou suspensão” e não altera o angulo da caixa de direção. Agradecemos o contato, obrigado pelo comentário. Abraço.

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